quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Cadê vc, Lucidez? Parte I

Eu precisava urgentemente de um envelope para colocar um dinheiro e entregar a minha mãe para pagar uma conta. Era só um envelope e, meudeus, eu tenho uma centena de envelopes da minha super e antiga coleção de papel de cartas. Confesso que quando criança eu tinha como hoby colecionar e trocar papel de carta, acho que foi aí que nasceu meu dom para negociação.

Havia diversos modelos que eram praticamente exclusividade minha. Como meu pai viajava "constantemente" para o Paraguai eu era sempre presenteada com singelas lembranças de papéis de cartas de todo o mundo. E cada pacote continham 10 (dez) papéis de cartas, ou seja, eu poderia ter o papel de carta que eu quisesse de minhas amigas em troca desses exclusivos. A vantagem de ter um pai que viaja constantemente é essa: Somos compensadas com algo que nos é dado devido a ausência do pai e com esse mesmo algo barganhamos com terceiros algo que muito nos interessa...

Eu era muito seletiva com meus papéis de cartas. Para um estar em uma de minhas pastas eu tinha de ser realmente "tocada" por ele, e por isso eu tinha papéis de cartas que não trocava por nenhum outro, uns papéis de beleza única, outros horrendos que só eu admirava e os paéis que eu negociava.

Então, e hoje ainda tenho alguns e dessa época de troca de papéis de cartas me sobraram vários envelopes (pois eu só trocava papel de carta com envelope se o que eu ganhasse tb tivesse e a maioria nunca tinha) e ao abrir o armário de tranqueiras nostálgica que eu tenho no meu quarto para colocar a TV em cima e o que é que eu vejo??? Uma desorganização de dar vergonha. Eu fiquei com vergonha de mim mesma. Ainda olhei para os lados para ver se alguém mais estava vendo. Detalhe: eu estava sozinha no meu quarto. Que vergonha!!!

Como é que eu pude ser contratada no meu último trabalho se meu gerente da época me confirmou que eu só fui contratada pq no meu exame psicológico constou que eu era uma pessoa "metódicamente organizada"? Quando eu ouvi isso eu não consegui segurar uma leve risada... Como eu, Josefina Escarlate, posso ser "metódicamente organizada" se eu não lembro nem onde deixo meu pacote de absorventes???

Enfim, descobri depois que meus testes psicológicos são sempre anulados pois dá ambiguidade n resultado e quem afirmou foi a minha professora de psicologia que me aplicou um teste certa noite, se é verdade, eu não sei, não entendo nada disso, mas é engraçado eu ter vergonha de algo que eu mesma fiz e sou: DESORGANIZADA.

Tem um filme que assisti quando era adolescente (não sei o nome) em que uma moça dizia que era possível saber o quão satisfatória é a vida sexual de uma pessoa através da organização de sua mesa de trabalho. Na época do filme eu era virgem e tinha uma escrivaninha no meu quarto como mesa e luminária onde eu fazia trabalhos escolares e deveres de casa e a mesa era mesmo organizadinha, viu?!

Com o passar do tempo comecei a namorar e a cuidar cada vez menos da organização da minha escrivaninha. A escrivaninha não existe maism no entanto hoje, quando chego no meu trabalho vejo a minha mesa limpinha, sem nada fora do lugar. Sento na cadeira, ligo o computador e tiro todas minhas papeladas, cadernos (sim, eu uso dois cadernos no meu trabalho e não sei bem o por quê eu faço isso, mas me sinto organizando melhor a idéia separando o assunto do trabalho em dois cadernos) e em alguns instantes minha mesa está uma bagunça horrenda e eu preciso ver isso, tudo ao alcance de minahs mãos e visaõ, práticidade para quando eu precisar de algo... e fica assim até o horário de ir embora onde toda a bagunça cabe em três gavetas de minha mesa e pronto. Uma mesa limpa, organizada e "admirável". [rs]

Que seja, mas agora eu não sei onde estão os malditos envelopes no meu armário, na minha casa. Eu não sei onde estão as minhas coisas. Que vergonha e claro que só vou dormir depois de achar. É o pecado que o ser humano carrega por ser 'ariano'. Não aceitamos derrota e vou derrotar minha vergonha achando essa maldita pasta.

Fui.

"O gosto somente se forma com a contemplação do excelente, não do regular."
(Goethe)


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