Hoje foi a missa de sétimo dia da Cris.
Cheguei, cumprimentei toda a família desolada, fumei um cigarro e entrei. E durante a missa toda não ouvi uma única palavra do padre. Tentei ao máximo que pude conter minhas lágrimas, mas não consegui. Só o fato de imaginar que NUNCA MAIS ouvirei a minha amiga chamar pelo meu nome, que NUNCA MAIS atenderei um telefonema seu, que NUNCA MAIS poderei apertar vc até te sufocar, que NUNCA MAIS vc vai me ensinar, que NUNCA MAIS verei o seu sorriso, que NUNCA MAIS iremos passear juntas... NUNCA MAIS é muito tempo para mim. Eu sou imediatista e não compreendo o NUNCA MAIS, não aceito, não quero.
Eu tb sou egoísta. Quero minha amiga ao meu lado. Quero os conselhos dela, quero suas broncas, quero seu carinho, quero sua amizade, quero sua luz, quero sua presença, quero vc aqui... É egoísmo, eu sei, mas não me importo pq não aceito, não compreendo... Estou perdida em uma escuridão imensa. Não sei o que pensar, o que fazer, como me portar.
Estou sem chão e se não fosse o Feio eu não sei o que seria de mim. Estou admirada o quanto Feio está se esforçando para me segurar. Jamais imaginei que eu poderia me machucar tanto pela perda de alguém e não imaginei que Feio seguraria a barra.
Perdi minha avó aos 13 anos e pela situação da época eu sofri muito e fui incompreendida, mas minha avó estava doente, muito doente e estávamos esperando. Minha tia, vizinha nossa, quando faleceu tb me deixou muito triste, no entanto foi o mesmo caso que minha avó. Minha tia estava com câncer em fase terminal... perdi meu cachorro e levei meses para me recuperar mas eu sempre soube que eu melhoraria após cada perda pois cada caso de morte que presenciei até então, era esperado. Até Bozo, meu amigo, procurou pela morte se envolvendo com drogas.
Mas a Cris, não. A Cris não estava em fase terminal, tinha uma doença que se vive normalmente com ela e mesmo doente há uns meses não havia risco de morte. Não está certo. Não pode.
Ao fim da missa, conversando com a mãe de uma amiga da Cris, relembramos o quanto íntegra, honesta, sincera, verdadeira, solidária a Cris era. Impossível alguém negar qualquer uma dessas qualidade na Cris. Todos que a conheceram citarão no mínimo essas qualidades. Claro que a Cris tinha seus defeitos. A sinceridade dela machucava. A Cris não tinha tato com as palavras. E quando ela enfiava algo na cabeça? Ninguém tirava dela (e hoje isso nos consola). Quando o Lupus atacava, a Cris não podia tomar sol e numa época dessas que o Lupus atacou, ela foi até minha casa e me contou que estava indo para a praia. Mas eu dei tanta bronca na menina, mas tanta bronca... e ela me olhou, falou que sabia e voltou, dias depois, bronzeada (e bonitona).
É como se não houvesse o fim nessa história. Tem começo, tem meio mas o fim está errado, não pode ser esse. Pq uma pessoa tão boa foi poupada de chegar a velhice e morrer de morte natural? Pq A MELHOR amiga? Não consigo parar de chorar e agradeço por começar minha curtas férias. Poderei descansar esse sentimento que está me transtornando.
Terei de aprender a conviver com o NUNCA MAIS. Terei de aceitar que eu, agora, sou impotente e nada posso fazer. A Cris não poderá mais ser minha madrinha de casamento, não fará mais a pós graduação comigo, não me convidará mais para almoçarmos no Mc Donald's, não comemorará mais o meu aniversário e não comemorará tb o seu tão esperados 30 anos no buffet infantil (que seria esse ano).
Sei que quando eu olhar para alguém de sua família eu sentirei uma tristeza por saber que falta uma parte. A foto linda da Cris com uma mensagem que a família deu de lembrança da missa de sétimo dia está aqui, sempre ao meu lado e a minha vista.
Eu preciso ser convencida dessa história, desse fim que a vida deu a uma vida tão inesquecível como a Cris. Eu preciso saber lidar com a morte pois senão não suportarei a próxima grande perda.
Cheguei, cumprimentei toda a família desolada, fumei um cigarro e entrei. E durante a missa toda não ouvi uma única palavra do padre. Tentei ao máximo que pude conter minhas lágrimas, mas não consegui. Só o fato de imaginar que NUNCA MAIS ouvirei a minha amiga chamar pelo meu nome, que NUNCA MAIS atenderei um telefonema seu, que NUNCA MAIS poderei apertar vc até te sufocar, que NUNCA MAIS vc vai me ensinar, que NUNCA MAIS verei o seu sorriso, que NUNCA MAIS iremos passear juntas... NUNCA MAIS é muito tempo para mim. Eu sou imediatista e não compreendo o NUNCA MAIS, não aceito, não quero.
Eu tb sou egoísta. Quero minha amiga ao meu lado. Quero os conselhos dela, quero suas broncas, quero seu carinho, quero sua amizade, quero sua luz, quero sua presença, quero vc aqui... É egoísmo, eu sei, mas não me importo pq não aceito, não compreendo... Estou perdida em uma escuridão imensa. Não sei o que pensar, o que fazer, como me portar.
Estou sem chão e se não fosse o Feio eu não sei o que seria de mim. Estou admirada o quanto Feio está se esforçando para me segurar. Jamais imaginei que eu poderia me machucar tanto pela perda de alguém e não imaginei que Feio seguraria a barra.
Perdi minha avó aos 13 anos e pela situação da época eu sofri muito e fui incompreendida, mas minha avó estava doente, muito doente e estávamos esperando. Minha tia, vizinha nossa, quando faleceu tb me deixou muito triste, no entanto foi o mesmo caso que minha avó. Minha tia estava com câncer em fase terminal... perdi meu cachorro e levei meses para me recuperar mas eu sempre soube que eu melhoraria após cada perda pois cada caso de morte que presenciei até então, era esperado. Até Bozo, meu amigo, procurou pela morte se envolvendo com drogas.
Mas a Cris, não. A Cris não estava em fase terminal, tinha uma doença que se vive normalmente com ela e mesmo doente há uns meses não havia risco de morte. Não está certo. Não pode.
Ao fim da missa, conversando com a mãe de uma amiga da Cris, relembramos o quanto íntegra, honesta, sincera, verdadeira, solidária a Cris era. Impossível alguém negar qualquer uma dessas qualidade na Cris. Todos que a conheceram citarão no mínimo essas qualidades. Claro que a Cris tinha seus defeitos. A sinceridade dela machucava. A Cris não tinha tato com as palavras. E quando ela enfiava algo na cabeça? Ninguém tirava dela (e hoje isso nos consola). Quando o Lupus atacava, a Cris não podia tomar sol e numa época dessas que o Lupus atacou, ela foi até minha casa e me contou que estava indo para a praia. Mas eu dei tanta bronca na menina, mas tanta bronca... e ela me olhou, falou que sabia e voltou, dias depois, bronzeada (e bonitona).
É como se não houvesse o fim nessa história. Tem começo, tem meio mas o fim está errado, não pode ser esse. Pq uma pessoa tão boa foi poupada de chegar a velhice e morrer de morte natural? Pq A MELHOR amiga? Não consigo parar de chorar e agradeço por começar minha curtas férias. Poderei descansar esse sentimento que está me transtornando.
Terei de aprender a conviver com o NUNCA MAIS. Terei de aceitar que eu, agora, sou impotente e nada posso fazer. A Cris não poderá mais ser minha madrinha de casamento, não fará mais a pós graduação comigo, não me convidará mais para almoçarmos no Mc Donald's, não comemorará mais o meu aniversário e não comemorará tb o seu tão esperados 30 anos no buffet infantil (que seria esse ano).
Sei que quando eu olhar para alguém de sua família eu sentirei uma tristeza por saber que falta uma parte. A foto linda da Cris com uma mensagem que a família deu de lembrança da missa de sétimo dia está aqui, sempre ao meu lado e a minha vista.
Eu preciso ser convencida dessa história, desse fim que a vida deu a uma vida tão inesquecível como a Cris. Eu preciso saber lidar com a morte pois senão não suportarei a próxima grande perda.
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